

Pós-operatório: Flora Magdala e a mãe, Elenira, comemoram a conquista de um sonho (Foto: J. Luís)
Trinta crianças e adolescentes portadores do defeito congênito estão sendo beneficiados com cirurgias corretivas.
Sempre solto, o longo cabelo de Flora Magdala, de nove anos, não é apenas sinal de vaidade, mas uma forma natural encontrada por ela para esconder as orelhas em abano. A reação de Flora é comum entre as crianças e adolescentes portadoras desse defeito congênito, conta o cirurgião plástico Danilo Dias, que, junto com outros 11 profissionais, fundou o projeto Plástica na Escola.
Lançado esta semana, em homenagem ao Dia da Criança, o projeto tem como objetivo resgatar a auto-estima de crianças como Flora, que em geral sofrem com as piadinhas feitas pelos colegas. “Minha filha tinha muito complexo, reclamava. Por isso nunca cortou o cabelo, nem deixava prendê-lo. No balé, só prendia se fosse para colocar uma tiara”, conta a mãe, Elenira Alves Lima.
Até amanhã, 30 crianças e adolescentes, entre nove e 16 anos, serão beneficiadas pelo projeto Plástica na Escola. As cirurgias corretivas começaram na última segunda-feira e estão sendo realizadas, gratuitamente, na Clínica Jório da Escóssia. Graças aos 12 cirurgiões plásticos voluntários, membros da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, e a outras doações, como a estrutura hospitalar, o material cirúrgico e ônibus para o transporte dos pacientes.
A idéia de implantar esse projeto, explica Danilo Dias, surgiu da “vontade de ajudar”. Além das 30 crianças e adolescentes selecionadas nessa primeira edição, outras 15 já estão inscritas para 2008. A divulgação do projeto contou com a ajuda de assistentes sociais da Obra Lumen. Estudar em escola pública e não ter condições financeiras para pagar por uma cirurgia foram alguns dos critérios de escolha dos pacientes.
Orelhas em abano
A escolha por esse defeito congênito, explica Danilo Dias, foi feita pela sua interferência no desenvolvimento das crianças e adolescentes. Já que, por ser visível, pode dificultar o relacionamento social e causar sérios problemas psicológicos.
As orelhas em abano é uma deformidade na região auricular. Ela consiste na inexistência de um relevo chamado anti-hélix na anatomia das orelhas, que pode estar associado a hipertofria conchal, intensificando a apresentação do problema. A cirurgia corretiva, conforme Danilo Dias, é recomendada para crianças com, no mínimo, sete anos.
Elaine Cristina da Silva Lima, mãe do Victor, de 11 anos, não sabia que era possível corrigir com cirurgia plástica esse defeito na orelha. “Quando meu filho foi convidado, fiquei surpresa. Desconhecia completamente. Mas não ia perder essa oportunidade”, ressalta.
Victor, Flora, Cássia e mais três crianças foram submetidas à cirurgia plástica ontem. “Tô muito feliz, não poderia ter ganho presente de Dia da Criança melhor”, conta Flora. Cada procedimento, explica Danilo Dias, dura em média 1h30 e no mesmo dia os pacientes recebem alta. “A cirurgia é uma forma dessas crianças resgatarem sua auto-estima. Elas perdem o sentimento de vergonha e, assim, têm um desenvolvimento físico, psicológico e social normal”, ressalta o cirurgião.
